Saga Evanescente
Jul 05

“Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias.”

Analisando essa frase do Pablo Neruda, realmente parece fácil escrever, certo? E é. Desde que você saiba administrar suas ideias e transmiti-las através de palavras… Mas o que empaca na hora de escrever é justamente o início. Claro que sem as ideias seus textos nunca irão para frente, mas o ínicio é o que caracteriza todo seu texto, é ele que vai fazer o leitor começar a ler e não parar até ler o último ponto final. E é sobre isso que eu vou falar um pouco no post de hoje: inícios.
Você já tem suas ideias? Ótimo. Agora é a hora de começar a escrever. E logicamente você começa do começo, certo…? Eu digo: Errado!
Obviamente, tem gente que começa do início, mas eu acho muito mais fácil quando se começa de um ponto de ação da trama.
O ponto de ação, seria alguma cena crucial do seu texto. Não precisa necessariamente ser o clímax principal. Cada capítulo tem o seu próprio clímax pra continuar fazendo os leitores continuarem acompanhando a trajetória dos seus personagens, certo? Até porque se os seus capítulos forem “secos” e sem nenhum mistériozinho, é muito fácil seu leitor perder o interesse ou simplesmente ir lá na última página e saber tudo o que você deixou para o final.
Analise suas ideias para o seu texto e veja algo que precisa ocorrer antes de todo o clímax principal. Uma dica é você escolher o ponto onde o seu personagem decide correr atrás de seus objetivos. Aquele momento em que ele diz para si mesmo “eu preciso achar respostas ou conseguir determinada coisa X”.
Vou usar como exemplo o assunto vampiros, já que é sobre isso que se trata a Saga Evanescente. A ideia (que é bem clichê, obrigada) que usarei de exemplo é a seguinte: “Uma garota é transformada por um vampiro novo e irresponsável que queria apenas se divertir. Com raiva e assustada pelo o que se transformou, a garota tem que se adaptar à nova vida e ao sistema dos vampiros – que a deixa completamente indefesa enquanto ela não souber quem a transformou e ela começa sua jornada a procura de vingança.”
Rascunho da minha ideia pronto, agora é o momento de escolher a cena pela qual eu vou começar meu ponto de partida. Analisando essa mini sinopse, eu já achei um ponto crucial para a minha estória, mas que ainda não é o clímax principal: Quando a garota (vou chamá-la de Anika), foi transformada pelo vampiro (vou chamá-lo de Héctor).
Para começar a escrever o meu ponto de ação, antes eu preciso fazer as seguintes perguntas: “Quem é Anika? O que ela estava fazendo antes de chegar ao lugar onde ela foi transformada? O que Héctor estava fazendo lá? O que o impulsionou a transformar Anika?“. E é a partir dessas perguntas que eu vou construir meu início: Apresentando os personagens e narrar tudo o que os fez chegar ao lugar em que o verdadeiro ponto de partida da estória começa.

Dicas:
- Não gaste mais que um parágrafo falando sobre o psicológico ou físico da sua personagem. Fica cansativo. Tente adicionar essas características enquanto a estória vai correndo.
- Você pode usar o ponto de ação como prólogo, assim, o seu leitor já começa a ler com dúvidas que vai querer sanar devorando as páginas para conseguir as respostas.
- Não estique seu início colocando trocentos capítulos da vida do seu personagem principal antes da “ação” começar a acontecer na vida dele, porque fica muito monótono. Faça no máximo dois capítulos relatando a vida “de antes” dele. (mesmo assim, recomendo só o primeiro capítulo e no segundo você já começar a introduzir os elementos da estória em si).
- Quando me dá um “branco” de como iniciar um parágrafo, geralmente eu recorro a um prompt, que dá sugestões de como começar os textos. Super recomendo (: . Pra trocar as frases, é só apertar F5 até você achar aquela que te agrade e que te sirva para iniciar seu texto.

Alguns exemplos de prólogos e inícios que são partes de pontos de ação:

O fedor do lixo podre encheu as minhas fossas nasais enquanto procurava por todos os lugares das ruas escuras de San Antonio algo para me acalmar. Definitivamente precisava – esta era uma dessas noites em que me sentia menos que humana. Não havia nenhuma razão, realmente, exceto que amanhã era meu décimo oitavo aniversário, e esta noite, todos os outros de minha idade estavam tendo um bom momento na Festa de Boas‐Vindas, assistindo uma estúpida partida de futebol ou indo há algum baile pouco convincente.
Mas não eu, não, o bicho estranho educado em casa não foi convidado. Não que eu me importe. Eles não têm idéia do que acontece na vida real, nenhuma idéia dos horrores que freqüentavam as ruas durante as noites. Horrores como eu.
Um grito afogado veio de um beco escuro a minha direita. Soava promissor, por isso me aproximei para comprovar. Sem dúvidas, algum cara tinha um jovem Emo‐Punk imobilizado contra a parede de tijolos, sua cabeça enterrada no pescoço do garoto. Podia ser que eles estivessem se acariciando e se beijando, ou que um vampiro estivesse tendo um lanche noturno.
Dado o medo que se via nos olhos do garoto, apostava no último. De qualquer maneira, ele iria ter um sério chupão amanhã de manhã.
Aproximei‐me do vampiro e o golpeei ligeiramente no ombro. “Desculpe?”
Ele se moveu rapidamente, olhando‐me chocado, com as presas brilhando na penumbra. “Procurando problemas, menina?” Ele grunhiu.
Sorri abertamente. Havia passado muito tempo desde que alguém havia cometido o erro de me chamar de menina. “Na verdade, sim. Está disposto a me dar?” (…)

- Trecho do primeiro capítulo de Bite Me, por Parker Blue. {skoob}


Ele começou sua nova vida pondo-se em pé, envolvido pela
escuridão fria e pelo ar poeirento e rançoso.
Um tremor súbito abalou o piso sob os seus pés, metal rangendo
contra metal. O movimento inesperado o derrubou, e ele recuou
engatinhando, o suor brotando em gotas da testa, apesar do ar frio. Suas
costas se chocaram contra uma rígida parede metálica; ele esgueirou-se
colado nela até chegar a um canto do compartimento.
Mergulhando em direção ao chão, encolheu as pernas bem de
encontro ao corpo, esperando que os olhos se acostumassem logo à
escuridão.
Com mais um solavanco, o compartimento moveu-se bruscamente
para cima, como um velho elevador num poço de mina.
Sons ásperos de correntes e polias, como os ruídos de uma velha
usina de aço em funcionamento, ecoaram pelo compartimento, abalando as
paredes com um lamento vazio e distante. O elevador sem luz oscilava para
frente e para trás na subida, o que azedou seu estômago até lhe causar
náuseas; um cheiro semelhante ao de óleo queimado invadia-lhe os
sentidos, fazendo-o sentir-se pior. Teve vontade de chorar, mas as lágrimas
não vinham; só lhe restava ficar ali sentado, sozinho, esperando.
- O meu nome é Thomas, pensou.
Essa era a única coisa de que conseguia se lembrar sobre a própria
vida.(…)

- Trecho do primeiro capítulo de Correr ou Morrer, por James Dashner. {skoob}


“O demônio veio em minha direção e sem aviso arrancou a flecha de meu corpo.
A maldita flecha, havia se alojado tão profundamente que fora preciso dois puxões para tirá-la de
mim. Eu grunhi de dor, e um suor frio surgiu em minha testa. A ponta da flecha finalmente se
soltou com um nojento som de sucção. Cai no chão e me curvei na posição fetal, em uma poça
de cerveja derramada.
Pelo canto de meu olho, vi o demônio segurando a flecha na luminosidade. Ele levantou a ponta
até sua boca e sua língua bifurcada saiu e provou o sangue. Meu sangue. Gemendo fechei meus
olhos bem apertados. Naquele momento, eu quase esperava que ele me matasse. Não existiam
palavras para descrever a dor.
- Bem eu acho que é isso – os cascos do demônio batiam contra o assoalho de madeira. Senti-o
se aproximando – você esta bem?
Meus olhos se abriram. Meus poderes de cura já estavam trabalhando para fechar as feridas.
- Se estou bem? – Eu falei – você acabou de atirar em meu coração com uma estaca!
- Ei, não é nada pessoal.

- Trecho do prólogo de Red-Headed Stepchild , por Jaye Wells. {skoob}


Enfim, pegaram a essência da coisa? Esses trechos fizeram você querer ler os livros? Aposto que sim! Essa é justamente o intuito do autor e de quem editou o livro: capturar sua atenção nos primeiros parágrafos, e para isso, eles não começaram do começo (?).
Enfim, gente, o post ficou bem extenso, mas espero ter ajudado alguém. Dúvidas e sugestões? Comentem!
Obrigada por lerem até aqui (:

Kadja Andrade






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